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Clima favorável para ferrugem exige alerta

15/02/2010
A aparição de focos de ferrugem asiática em diversos municípios do RS tem mobilizado os produtores gaúchos no sentido de intensificar os cuidados nas lavouras. O alerta é generalizado, especialmente em função das condições climáticas propícias para o desenvolvimento da doença: chuvas intensas, calor durante o dia e temperaturas mais amenas à noite. "Estamos num ano favorável para o desenvolvimento da ferrugem", destaca o presidente do Clube Amigos da Terra de Tupanciretã, Almir Rebelo. Segundo ele, na região já foram registrados focos da doença, que estão sob controle e monitoramento total. O mesmo é registrado na região de abrangência da Cotrijuí, principalmente no Noroeste do Estado. Em 2006, por um descuido dos produtores, muitos municípios tiveram perdas em produtividade que oscilaram entre 50% e 80%. "Em alguns casos, a produção por hectare caiu de 35 para 12 sacas", lembra o diretor-agrotécnico da Cotrijuí, Mário Jung. O especialista destaca a importância de fazer o controle desde cedo, pois à medida que a doença se espalha, fica complicado controlar. "Depois que dissemina, ninguém segura", alerta Jung. O atraso no plantio da oleaginosa, que ocorreu apenas em dezembro, quando o normal seria semear em novembro, colaborou para deixá-la ainda mais suscetível à ferrugem, já que a colheita desses grãos será feita em março ou abril, período de mais chuvas e frio durante a noite. Nesse momento, a preocupação em monitorar as lavouras é ainda maior, pelo fato de que a grande parte das plantas está entrando em período de floração e enchimento de grãos, fase em que o ataque da doença pode trazer ainda mais prejuízos. "A ferrugem aparece em qualquer fase. No entanto, nesse período é preciso redobrar os cuidados com a saúde das folhas, para que a planta consiga fazer a fotossíntese de forma adequada", explica o agrônomo da regional da Emater em Ijuí Volnei Righi. Nos últimos seis anos, o Estado passou por dois períodos de ocorrência de ferrugem, em função da pouca aplicação de fungicidas a campo. Foi numa época em que os produtores tinham menos conhecimento sobre a doença e acabaram tendo perdas severas. De três anos para cá, a situação melhorou, no entanto ainda é preciso ter cautela. Jung destaca a importância de os produtores observarem as datas para a segunda aplicação dos fungicidas. "É preciso retomar o trabalho a campo", destaca Jung. Combate à doença pede aplicação precisa dos fungicidas A aplicação correta de defensivos contra a ferrugem da soja é considerada por especialistas como uma das principais dificuldades na hora de controlar a doença. Para obter sucesso, é preciso ter atenção quanto ao tamanho das gotas, volume da calda, além das condições climáticas ideais para uma plena absorção: a temperatura deve estar menor do que 30 graus, umidade relativa maior que 50% e ventos entre três e 10 quilômetros por hora. O agrônomo da Emater Volnei Righi diz que o ideal é fazer as aplicações no início da manhã ou à noite. Os técnicos têm demonstrado preocupação com mudança do tempo nos últimos dias, com temperaturas à noite entre 18 e 20 graus. "É importante que as folhas não permaneçam molhadas acima de seis horas, caso contrário aumentam as chances de aparecer a doença", orienta Righi. Uma das formas de monitorar a ferrugem é através do Consórcio Anti-ferrugem, um site que permite aos produtores divulgarem as ocorrências em suas lavouras, para que outros sojicultores possam redobrar os cuidados a campo. Pela avaliação da Emater, a doença tem sido detectada em algumas regiões e apenas em partes das lavouras. "A ferrugem se mantém sob controle e não está se alastrando", reforça Righi. O agrônomo da Emater destacou ainda a importância de procurar sempre a orientação dos técnicos, caso haja suspeita sobre a ocorrência da enfermidade. "Usar variedades mais precoces e cuidar para usar o fungicida adequado é importante para um bom resultado na prevenção." Jornal do Comercio - Porto Alegre Autor: Ana Esteves
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